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Benfica 0-2 Bayern: Renato, o protagonista improvável de uma derrota certa
Desporto, há 391 dias


Médio marcou à antiga equipa e proporcionou aquele que foi o momento da noite, num jogo marcado pelo desnível gritante entre 'águias' e bávaros.

A história é simples: rapaz de 18 anos, com um talento e uma confiança típicos "de quem transporta um aroma intenso a futebol de rua" (pode ler-se na descrição da FPF sobre o jogador), vê-se de repente a jogar na equipa principal do Benfica, ainda no segundo ano de júnior. Em poucos meses sagra-se campeão nacional, é chamado a um Europeu pela seleção do seu país e assina contrato com um dos maiores colossos europeus, a troco de 35 milhões de euros.A fortíssima competitividade inerente a um clube como o Bayern Munique, aliada às dificuldades de adaptação à nova realidade encostaram Renato a um canto: apenas nove jogos a titular num total de 25. Acabou por ser cedido na época seguinte ao Swansea, de Inglaterra, onde também não jogou tanto quanto esperava. Regressou à Baviera no último verão, onde recebeu novo voto de confiança dos dirigentes do clube germânico, mas também do seu novo timoneiro, Niko Kovac. E Niko Kovac, depois do suspense na véspera, 'devolveu' Renato Sanches à casa de partida. Ele que já não jogava por um clube desde 27 de janeiro.E aos 54 minutos, quando recuperou a bola na grande área do Bayern, conduziu-a numa corrida desenfreada, deixando alguns dos seus ex-companheiros para trás, e entregou-a a Franck Ribéry, antes de ele próprio aparecer no interior da área para finalizar, servido por James, o duro golpe nas aspirações de uma eventual reviravolta 'encarnada' rapidamente deu lugar a um momento de comunhão com cerca de 60 mil adeptos: o miúdo não festejou, mesmo depois de um jejum de 32 meses (em jogos oficiais de clubes), pediu desculpa ao público e acabou aplaudido em uníssono. E assim, Renato renascia no palco onde, dois anos antes, se deu a conhecer (como não amar o futebol?)O golo de Renato Sanches teve tanto de romântico, como de irónico, como de improvável, num jogo em que só houve mais do mesmo. Um Bayern altamente pressionante desde o início, a construir rapidamente desde zonas mais recuadas (tudo começava na dupla de centrais Hummels-Boateng), sempre à caça do erro do adversário. O Benfica, por sua vez, tentava colocar-se ao mesmo nível do hexacampeão alemão, mas mal este encontrava espaço e colocava o pé no acelerador, já não havia como disfarçar a discrepância de qualidade entre as duas equipas. Foi assim que Ribéry (10') irrompeu pelo corredor esquerdo, deixou para Alaba e viu o austríaco cruzar para a finalização superior de Lewandowski.André Almeida e Grimaldo desesperavam sempre que a bola ia parar aos pés de Ribéry e Robben - os dois obrigaram Vlachodimos a aplicar-se mais do que uma vez - e, no lado contrário, raramente o Benfica conseguia assustar Neuer, face à pressão agressiva dos bávaros para recuperar o esférico rapidamente. Só quando o Bayern tirou ritmo ao jogo, a equipa de Rui Vitória reorganizou-se e cresceu. O primeiro remate na partida dos 'encarnados' chegou os 22′, com Salvio a rematar por cima, antes de, aos 28′, servido por Pizzi, atirar no interior da área para grande defesa de Neuer.A magra vantagem do Bayern ao intervalo dava às 'águias' margem para acreditar - o segundo tempo até começou com a equipa da casa mais subida no terreno -, mas a esperança esfumou-se com o golo de Renato Sanches (54'). Golo esse que condenava o Benfica à oitava derrota consecutiva na Champions (fora as pré-eliminatórias), mas naquele momento ninguém parecia querer saber disso.Depois do 2-0, Rui Vitória tirou de campo Pizzi e Salvio, duas das peças mais preponderantes na época até ao momento, para lançar Gabriel e Rafa. O reforço brasileiro ainda tentou incomodar Neuer mais do que uma vez, mas sem sucesso. Por esta altura, era o Benfica quem tinha mais bola, consequência de o Bayern ter reduzido o ritmo do jogo. Ainda assim, houve tempo para Vlachodimos levar a melhor sobre Robben, uma vez mais. O Benfica sai derrotado da estreia na Champions sem a sensação de asfixia que muitos esperavam, e até com o mesmo número de remates do seu adversário (14), mas com a certeza da inferioridade qualitativa do seu plantel.Os melhoresRenato Sanches: No jogo de estreia pelo Bayern esta época, mostrou uma energia inesgotável diante da antiga equipa, a fazer lembrar outros tempos. A forma como iniciou e concluiu a jogada do 2-0 mostra isso mesmo.Vlachodimos: Garantiu, com um punhado de defesas, que a equipa se mantivesse na discussão do resultado durante a primeira parte. Sem culpa nos dois golos sofridos.Os pioresAndré Almeida: Não conseguiu impor-se a Ribéry - basta recordar o lance do primeiro golo - e mostrou pouca assertividade nos momentos ofensivos. E o jogo em Munique ainda está para vir...ReaçõesRui Vitória: "Perdemos o jogo mas não perdemos a nossa identidade"Niko Kovac: "Renato é um jogador excelente"Renato Sanches: "Não ia festejar por respeito. Eu não sou um adepto, faço parte da família do Benfica"Gabriel e a estreia na Champions: "Vou guardar esta partida para sempre"James assobiado após mostrar a mão aberta para a bancada: "O gesto era referente aos 5-0 [no Dragão] de há 8 anos"

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