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China condena apelo de 22 países para que não detenha minoria muçulmana
Lusa, há 4 dias

Pequim, 11 jul 2019 (Lusa) - A China condenou hoje uma declaração conjunta de 22 países na ONU a apelar a Pequim que pare com detenções extrajudiciais de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur, no extremo oeste do país.

O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Geng Shuang afirmou que a carta "desconsidera os fatos, e difama e ataca a China com acusações injustificadas, politizando os direitos humanos".

Geng considerou ainda que a declaração "interfere grosseiramente nos assuntos internos da China".

Pequim enfrenta crescente pressão diplomática devido às acusações de que mantém detidos cerca de um milhão de uigures em centros de doutrinação política na região do Xinjiang.

O Governo chinês, que primeiro negou a existência destes campos, afirmou, entretanto, tratar-se de centros de formação vocacional que visam integrar os uigures na sociedade.

Geng argumentou que Xinjiang não voltou a sofrer incidentes violentos nos últimos dois anos.

Em 2009, a capital do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria Han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional.

Numa carta enviada à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, os 22 Estados apelam à China para que respeite as suas próprias leis e obrigações internacionais, e impeça o encarceramento arbitrário de uigures e outras comunidades muçulmanas e minoritárias.

A carta foi entregue segunda-feira e publicamente vista na quarta-feira.

Inglaterra, França e Alemanha constam entre os 18 países europeus que, a par do Japão, Austrália, Canadá e Nova Zelândia, chamam a atenção para relatos de detenções arbitrárias em grande escala.

A região converteu-se já num estado policial, com pontos de controlo e câmaras de circuito fechado equipadas com reconhecimento facial dispostas nas ruas e edifícios.

Os uigures estão a ser detidos em campos de doutrinação, onde ex-detidos afirmam que foram forçados a criticar o islão e a sua própria cultura e a jurar lealdade ao Partido Comunista Chinês (PCC), numa reminiscência da Revolução Cultural (1966-1976), lançada pelo fundador da República Popular da China, Mao Zedong.

JPI // FPA

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